ABELHAS MINHAS
domingo, 5 de dezembro de 2021
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
com enormes letras me afino,
afino esse poema nada mais que um poema,
uma ladeira sinuosa, um canto céo,
as cacheiras do camorim onde outro dia,
me banhei com minha ama,
com meu jim morrison de saias
nina crystal,
dama branca,
arco-íris,
carrossel de vagalumes
a lagarta quase borboleta cor de laranja,
o nosso lar pluricromático,
filme 400 asas para florir nas fotografias
meu nome é verbo,
artigo, substantivo, substancia da terra,
a substancia do ali e do além
apenas olhos profundos
captarão os estrondos desses versos
apinhados de escorpiões de ouro
levam-to-me só,
eu e eu,
eu e os chifres do rinoceronte pré-histórico,
mais torto que um camaleão,
mais lúcido que o sol
eu, rinoceronte na sombra da árvore do esquecimento,
eu o que apanha nas colunas da fumaça do céu,
o rastro dos relâmpagos
pisei no abismo
e como mola bati no fundo e voltei
para as luzes do natal
para as luzes da perfeita infancia
vejo penas enormes sombreando os fósforos da casa,
os fósforo de cabeça e do pavio, fósforo minério,
fósforos que são livros, que são raizes
é no poema que arranho alguns acordes,
é nas cortinas do vapor marítimo
que apanho a canção e o peixe voador
meu amor vestida de brilhos generosos
dança sobre as gotas, sob o atento pássaro
habitante da ilha das maravilhas
EDU PLANCHEZ PÃ MAÇÃ SILATTIAN
todas as jóias para adornar os pés
de minha mãe mulher catarina crystal,
taças para despejar o vinho e o caldo
o amor dos espinhos toma conta da gente,
conta das inumeras possibilidade de descer
por dentro das carnes,
não acredite que o amor dos espinhos atordoa
os cataventos dos nervos,
espinhos são formas ponteagudas coniferas de beleza
auracaria mulher de minhas andanças,
cá nas âncoras de nossa casa,
cá nas portas do alegremente,
portas que se tornam horizontais
a medida que as lanças dos guerreiros escritores
despejam o café na xicara
e as palavras nas vozes
a ideia de saber o destino do raio marrom
regido pelo filamento da cabeça do homem que voa
é algo nunca estranho, nunca o oculto,
nunca a mania de pendurar nos varais pedaços do sangue,
do leite, da ancestralidade
do que você ainda não compreendeu por não possuir lógica,
por esquecer de perceber nos grilos algo oriental,
algo de pequim, algo do último imperador,
da para sempre criança altentica
domingo, 31 de outubro de 2021
asas da escrita, do que escrevo,
asas do homem que escreve nas pedras com pedras,
com o tombo das chuvas remenda-se os rasgos dos trovões,
os roncos, não dos trovões, sim das aves migratórias,
das aves que migram para os vilarejos mais próximos
com a velocidade dos vagalumes
para entrarem nas cenas do pródigo filme
que ora escrevo
o cinema marítimo é exibido no céu da boca da foca,
e visto por muitos, do abissal ao céu aberto,
tendo essa compreenção com miss oriente,
vendo um docomentário na fox
após degustarmos um peixe com maionese e churrasco
a tarde e seus objetos
e os dialetos soprados por tina tagarela
que diz que não vai precisar do computador para cantar
as duas canções de edith piaf
''só eu sei as esquinas por que passei'',
na terra do fogo, das fagulhas,
do que explode no que é abismo,
seguimos atravessando o lago de lavas,
as ruas dos mascarados,
dos que moram e que não moram na urca
e eu com pavor do que é velho,
do ficar velho, da impermanencia,
e o que eu sei clama pelo mistério,
respiro, encontro conforto no respirar,
no sopro, no verbo que ora costuro
no fundo da canoa com os fios
longos e brancos de meus cabelos
de poeta anfitrião...
hoje eu sou o pequeno príncipe,
a pequena alice vertida em serpente
o segredo é a minha flauta e sua extraordinária fidelidade,
ela me segue e eu a sigo desde de muito antes,
se eu for falar de tempo falarei de gohyaku jintengo,
tempo esse em que sakyamuni afirma ter alcançado
a sua iluminação
e dentro da minha iluminação,
da sua iluminação...
da iluminação,
cabe o gorgear de minha irmã flauta
pavor,
medo vertido em farelos de estrelas
apanhadas nas verticais curvas-nebulosas
da galáxia real, da galáxia inventada,
da galáxia que encontro numa combinação de imagens,
num combinar sinais,
e eu amo ler sinais
irmão sol
lrmã lua
companheiro Luiz Antonio Cardoso,
em taubaté nosso pai tornou-se bacharél,
em tremembé e eu e meu pai vendemos desinfetantes
de porta em porta,
de porto em porto aportei, aportamos nas ladeiras,
nas poeiras de jacarepaguá minha cidade natal
fica aqui o convite para um, dois, tres... cafés atomicos...
tv narizinho dona benta, tv vanguarda...
aqui, bem ali, o projac, o ninho do urubu, a tv record,
e o sítio dos novos baianos...
na seiva humana nada além de humana, moro, móras,
moro nas casas do mundo dos mundos...
isso é dito em tudo que escrevi,
em tudo que moldo com a ajuda de camille claudel
é sabido que é no charco que nascem as figuras
que os escultores constroem
com as cicatrizes do barro
e com as borras da tinta nanquim
o senhor budha eu mesmo,
o peixe graudo das cachoieras do meu vosso canto
cai nas veias, nas entranhas, nos tonéis do umbigo
outro dia hoje mesmo
pintei a face de uma ave, de uma ave comum,
de uma ave nada humana plenamente humana ave
há uma rua azulada de écos,
um cão solto nos aros da tarde,
da tarde que planto no vaso,
na sala, nas fendas por onde vemos o outro
( edu planchez pã maçã silattian )
edith piaf é das ruas, das pessoas das ruas, crystal piaf,
relate para as pessoas o que acontecia
quando a gente passava pelo chafariz do largo da carioca
cheio de pessoas que vivem nas ruas...
-sim, toda vez que a gente passava por ali,
eles começavam cantar "padan, padan"
ai a gente sentia que a força de edith piaf vem das ruas,
e das ruas vem a nossa força,
a força dos irmãos e das irmãs das ruas.
encontradas nas ruas, nas ruas do grande mundo
joguei minha âncora de puro estanho
nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
nas linhas deixadas pela lança que apolo meu pai
atirou nas nuvens prendo meus cabelos
o poema, o faze-lo é um bisturi, um auto operar-se,
o catalizar das tormentas,
se não tenho tintas,
tenho letras para construir uma peça,
uma engrenagem, um módulo,
a estrutura, a página para seguir caminhando
agora chóro o choro do fim,
do fim do mundo,
e eu amontuei trajédias, dramas sentimentáis...
preciso chorar, cuspir, defecar isso e mais isso,
aquilo e aquilo outro
joguei minha âncora de puro estanho
nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
3Você, João Bosco Gomes e Claudio Vazcoelho
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eu canto janis para atrair os demônios, não sei se exatamente para exorciza-los