domingo, 5 de dezembro de 2021

 


Alexandre Durratos que em ROCHAMIRANDA vai sambar um maracatú
é meu camarada de LAPAS RUA CEARÁ
DOS ROCKS PUTAS, DAS GALINHAS NOITES
DO BLUES sem pai nem mãe
de baseados comprados no fim da rua
das mãos de zé limeira
traficante de cachaça

 


todas as vidas nessa vida,
no atual trago,
nos leves abalos, nas alturas,
ventilo a possibilidade de mover-me
pelas calhas dos astros
da sideral chuva,
verão no hemisfério rio de janeiro
a pátria de meus olhos

 


rogantha-kalpa ( edu planchêz maçã silattian )
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amarro no arame de ouro todos os séculos,
todo o milênio, todo o kalpa,
um dia de brahmã
a corrida de um espirito pelas doze casas zodiacais
vivemos ora um rogantha-kalpa,
vivemos algo complexo,
não posso dizer estranho

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

 


tateio as caras da cerveja,
da cerveja trazida de amsterdan
por minha dulcíssima sobrinha juliana

 


com enormes letras me afino,
afino esse poema nada mais que um poema,
uma ladeira sinuosa, um canto céo,
as cacheiras do camorim onde outro dia,
me banhei com minha ama,
com meu jim morrison de saias

nina crystal,
dama branca,
arco-íris,
carrossel de vagalumes

a lagarta quase borboleta cor de laranja,
o nosso lar pluricromático,
filme 400 asas para florir nas fotografias
meu nome é verbo,
artigo, substantivo, substancia da terra,
a substancia do ali e do além









 



não esqueçamos o nome das partículas,
dos corpos do som que carregamos na sola dos pés
e nas palmas das mãos,
assim,
caminhando pelos beirais do atlãntico,
pelas mantas de lã,
nas casas dos botões da tua roupa de gala

 


um pássaro, um escaravelho,
uma borboleta,
o mínimo mosquito

 


tenso, bastante tenso,
atordoado por ser humano,
nada além disso,
nada além das muralhas do sempre homem fervente

a casa das girafas,
dos gigantes que sempre vejo nos sonhos
meu poema de gelo flutua
nas abas da casa,
nos corcéis dos ventos do nada saber

 

apenas olhos profundos

captarão os estrondos desses versos

apinhados de escorpiões de ouro

levam-to-me só,
eu e eu,
eu e os chifres do rinoceronte pré-histórico,
mais torto que um camaleão,
mais lúcido que o sol

eu, rinoceronte na sombra da árvore do esquecimento,
eu o que apanha nas colunas da fumaça do céu,
o rastro dos relâmpagos

 



eu e minha ama tagarelando
pelos meandros do antigo teatro,
pelas pilastras das arenas de atenas...
cena zero, cena que salta dos berros do sangue,
das onduladas antenas do escaravelho da mulher-cavalo
amante do escorpião de argila




MEU PRESENTE DE NATAL AO CHEFE DOS IMBECIS, AO CHEFE DOS QUE SE ALIMENTAM DE BARATAS, DE SAPOS E PIOLHOS

 


pisei no abismo
e como mola bati no fundo e voltei
para as luzes do natal
para as luzes da perfeita infancia

vejo penas enormes sombreando os fósforos da casa,
os fósforo de cabeça e do pavio, fósforo minério,
fósforos que são livros, que são raizes
é no poema que arranho alguns acordes,
é nas cortinas do vapor marítimo
que apanho a canção e o peixe voador

meu amor vestida de brilhos generosos
dança sobre as gotas, sob o atento pássaro
habitante da ilha das maravilhas

EDU PLANCHEZ PÃ MAÇÃ SILATTIAN

 

o império edu planchêz não é império, 

é carlos, é imperial,

império serrano, 
império do marangá, império da tijuca

 


nas árvores da jacarepaguá profunda,
nos lagedos,
nos penhascos que avisto aqui da estrada dos bandeirantes
redonda visão, raio traçado pela luz dos meus olhos

nas carrancas da terra, no solo nutrido,
no seio de minha mãe
vives comigo por puro malte,
por razões que a própria razão desconhece

 

todas as jóias para adornar os pés
de minha mãe mulher catarina crystal,
taças para despejar o vinho e o caldo

o amor dos espinhos toma conta da gente,
conta das inumeras possibilidade de descer
por dentro das carnes,
não acredite que o amor dos espinhos atordoa
os cataventos dos nervos,
espinhos são formas ponteagudas coniferas de beleza

auracaria mulher de minhas andanças,
cá nas âncoras de nossa casa,
cá nas portas do alegremente,
portas que se tornam horizontais
a medida que as lanças dos guerreiros escritores
despejam o café na xicara
e as palavras nas vozes

 


a ideia de saber o destino do raio marrom
regido pelo filamento da cabeça do homem que voa
é algo nunca estranho, nunca o oculto,
nunca a mania de pendurar nos varais pedaços do sangue,
do leite, da ancestralidade
do que você ainda não compreendeu por não possuir lógica,
por esquecer de perceber nos grilos algo oriental,
algo de pequim, algo do último imperador,
da para sempre criança altentica

 


Alexandre Durratos que em ROCHAMIRANDA
vai sambar um maracatú
é meu camarada de LAPAS RUA CEARÁ
DOS ROCKS PUTAS, DAS GALINHAS NOITES
DO BLUES sem pai nem mãe

de baseados comprados no fim da rua
das mãos de zé limeira
traficante de cachaça

 


todas as vidas nessa vida,
no atual trago,
nos leves abalos, nas alturas,
ventilo a possibilidade de mover-me
pelas calhas dos astros
da sideral chuva,
verão no hemisfério rio de janeiro
a pátria de meus olhos

domingo, 31 de outubro de 2021

 



aquarela, eu sou a aquarela,
a onda vertiginosa que remexe vulcões

 



eu canto janis para atrair
os demônios, 

não sei se exatamente para exorciza-los

 


ao canto do galo de campina empino minha arraia
movendo-me pelo algarítimo do trem que vem vindo,
que vem vindo da serra da borborema

 


asas da escrita, do que escrevo,
asas do homem que escreve nas pedras com pedras,
com o tombo das chuvas remenda-se os rasgos dos trovões,
os roncos, não dos trovões, sim das aves migratórias,
das aves que migram para os vilarejos mais próximos
com a velocidade dos vagalumes
para entrarem nas cenas do pródigo filme
que ora escrevo

 


o cinema marítimo é exibido no céu da boca da foca,
e visto por muitos, do abissal ao céu aberto,
tendo essa compreenção com miss oriente,
vendo um docomentário na fox
após degustarmos um peixe com maionese e churrasco
a tarde e seus objetos
e os dialetos soprados por tina tagarela
que diz que não vai precisar do computador para cantar
as duas canções de edith piaf

 


olham para guimarães rosa,
olham para a terceira margem do rio,
mas não olham para mim...
devo ser um péssimo contínuo,
um pescador exímio de corais,
e artesão de tudo,
e tocador de pífaros,
o que sempre esteve na canoa





eu preciso de uma cósmica serpente,
de um gigante escorpião.
de garrafas de run cubano...
e dessa mulher de preto,
descalça e sem cortinas nas costas,
calada falando, falando calada






''só eu sei as esquinas por que passei'',
na terra do fogo, das fagulhas,
do que explode no que é abismo,
seguimos atravessando o lago de lavas,
as ruas dos mascarados,
dos que moram e que não moram na urca
e eu com pavor do que é velho,
do ficar velho, da impermanencia,
e o que eu sei clama pelo mistério,
respiro, encontro conforto no respirar,
no sopro, no verbo que ora costuro
no fundo da canoa com os fios
longos e brancos de meus cabelos
de poeta anfitrião...
hoje eu sou o pequeno príncipe,
a pequena alice vertida em serpente

 o segredo é a minha flauta e sua extraordinária fidelidade,

ela me segue e eu a sigo desde de muito antes,
se eu for falar de tempo falarei de gohyaku jintengo,
tempo esse em que sakyamuni afirma ter alcançado
a sua iluminação
e dentro da minha iluminação,
da sua iluminação...
da iluminação,
cabe o gorgear de minha irmã flauta

 


Stan Getz e John Coltrane
nas caídas das luzes da magnífica madrugada do além jazz,
só mesmo os tentaculos da noite para nos atirar
nas compotas de pessego em calda com creme de leite

 pavor,

medo vertido em farelos de estrelas
apanhadas nas verticais curvas-nebulosas
da galáxia real, da galáxia inventada,
da galáxia que encontro numa combinação de imagens,
num combinar sinais,
e eu amo ler sinais
irmão sol
lrmã lua
em taubaté nosso pai tornou-se bacharél,
em tremembé e eu e meu pai vendemos desinfetantes
de porta em porta,
de porto em porto aportei, aportamos nas ladeiras,
nas poeiras de jacarepaguá minha cidade natal
fica aqui o convite para um, dois, tres... cafés atomicos...
tv narizinho dona benta, tv vanguarda...
aqui, bem ali, o projac, o ninho do urubu, a tv record,
e o sítio dos novos baianos...

 na seiva humana nada além de humana, moro, móras,

moro nas casas do mundo dos mundos...
isso é dito em tudo que escrevi,
em tudo que moldo com a ajuda de camille claudel
é sabido que é no charco que nascem as figuras
que os escultores constroem
com as cicatrizes do barro
e com as borras da tinta nanquim

 


o senhor budha eu mesmo,
o peixe graudo das cachoieras do meu vosso canto
cai nas veias, nas entranhas, nos tonéis do umbigo
outro dia hoje mesmo
pintei a face de uma ave, de uma ave comum,
de uma ave nada humana plenamente humana ave
há uma rua azulada de écos,
um cão solto nos aros da tarde,
da tarde que planto no vaso,
na sala, nas fendas por onde vemos o outro

( edu planchez pã maçã silattian )

 


edith piaf é das ruas, das pessoas das ruas, crystal piaf,
relate para as pessoas o que acontecia
quando a gente passava pelo chafariz do largo da carioca
cheio de pessoas que vivem nas ruas...
-sim, toda vez que a gente passava por ali,
eles começavam cantar "padan, padan"
ai a gente sentia que a força de edith piaf vem das ruas,
e das ruas vem a nossa força,
a força dos irmãos e das irmãs das ruas.
encontradas nas ruas, nas ruas do grande mundo

 


diego el khouri considera alguma coisa estranha
eu e minha poesia não ter reconhecimento merecido,
diz ele que é por inveja, não saberia falar sobre tal assunto,
villa lobos ao ser triturado pela imprensa,
vosferou ''eles querem que eu não exista'',
''eles'' querem que eu não exista,
mas eu existo

 


cá nos abracadabras dos trópicos,
apanho as crias dos que pensam em flores incandecentes
nos papéis artesanais geridos por luiz beltrame
irmão pintor dos tempos sagrados dos mistérios



 joguei minha âncora de puro estanho

nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
nas linhas deixadas pela lança que apolo meu pai
atirou nas nuvens prendo meus cabelos
o poema, o faze-lo é um bisturi, um auto operar-se,
o catalizar das tormentas,
se não tenho tintas,
tenho letras para construir uma peça,
uma engrenagem, um módulo,
a estrutura, a página para seguir caminhando
agora chóro o choro do fim,
do fim do mundo,
e eu amontuei trajédias, dramas sentimentáis...
preciso chorar, cuspir, defecar isso e mais isso,
aquilo e aquilo outro
joguei minha âncora de puro estanho
nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
Você, João Bosco Gomes e Claudio Vazcoelho

  Alexandre Durratos que em ROCHAMIRANDA vai sambar um maracatú é meu camarada de LAPAS RUA CEARÁ DOS ROCKS PUTAS, DAS GALINHAS NOITES DO BL...