domingo, 31 de outubro de 2021

 



aquarela, eu sou a aquarela,
a onda vertiginosa que remexe vulcões

 



eu canto janis para atrair
os demônios, 

não sei se exatamente para exorciza-los

 


ao canto do galo de campina empino minha arraia
movendo-me pelo algarítimo do trem que vem vindo,
que vem vindo da serra da borborema

 


asas da escrita, do que escrevo,
asas do homem que escreve nas pedras com pedras,
com o tombo das chuvas remenda-se os rasgos dos trovões,
os roncos, não dos trovões, sim das aves migratórias,
das aves que migram para os vilarejos mais próximos
com a velocidade dos vagalumes
para entrarem nas cenas do pródigo filme
que ora escrevo

 


o cinema marítimo é exibido no céu da boca da foca,
e visto por muitos, do abissal ao céu aberto,
tendo essa compreenção com miss oriente,
vendo um docomentário na fox
após degustarmos um peixe com maionese e churrasco
a tarde e seus objetos
e os dialetos soprados por tina tagarela
que diz que não vai precisar do computador para cantar
as duas canções de edith piaf

 


olham para guimarães rosa,
olham para a terceira margem do rio,
mas não olham para mim...
devo ser um péssimo contínuo,
um pescador exímio de corais,
e artesão de tudo,
e tocador de pífaros,
o que sempre esteve na canoa





eu preciso de uma cósmica serpente,
de um gigante escorpião.
de garrafas de run cubano...
e dessa mulher de preto,
descalça e sem cortinas nas costas,
calada falando, falando calada






''só eu sei as esquinas por que passei'',
na terra do fogo, das fagulhas,
do que explode no que é abismo,
seguimos atravessando o lago de lavas,
as ruas dos mascarados,
dos que moram e que não moram na urca
e eu com pavor do que é velho,
do ficar velho, da impermanencia,
e o que eu sei clama pelo mistério,
respiro, encontro conforto no respirar,
no sopro, no verbo que ora costuro
no fundo da canoa com os fios
longos e brancos de meus cabelos
de poeta anfitrião...
hoje eu sou o pequeno príncipe,
a pequena alice vertida em serpente

 o segredo é a minha flauta e sua extraordinária fidelidade,

ela me segue e eu a sigo desde de muito antes,
se eu for falar de tempo falarei de gohyaku jintengo,
tempo esse em que sakyamuni afirma ter alcançado
a sua iluminação
e dentro da minha iluminação,
da sua iluminação...
da iluminação,
cabe o gorgear de minha irmã flauta

 


Stan Getz e John Coltrane
nas caídas das luzes da magnífica madrugada do além jazz,
só mesmo os tentaculos da noite para nos atirar
nas compotas de pessego em calda com creme de leite

 pavor,

medo vertido em farelos de estrelas
apanhadas nas verticais curvas-nebulosas
da galáxia real, da galáxia inventada,
da galáxia que encontro numa combinação de imagens,
num combinar sinais,
e eu amo ler sinais
irmão sol
lrmã lua
em taubaté nosso pai tornou-se bacharél,
em tremembé e eu e meu pai vendemos desinfetantes
de porta em porta,
de porto em porto aportei, aportamos nas ladeiras,
nas poeiras de jacarepaguá minha cidade natal
fica aqui o convite para um, dois, tres... cafés atomicos...
tv narizinho dona benta, tv vanguarda...
aqui, bem ali, o projac, o ninho do urubu, a tv record,
e o sítio dos novos baianos...

 na seiva humana nada além de humana, moro, móras,

moro nas casas do mundo dos mundos...
isso é dito em tudo que escrevi,
em tudo que moldo com a ajuda de camille claudel
é sabido que é no charco que nascem as figuras
que os escultores constroem
com as cicatrizes do barro
e com as borras da tinta nanquim

 


o senhor budha eu mesmo,
o peixe graudo das cachoieras do meu vosso canto
cai nas veias, nas entranhas, nos tonéis do umbigo
outro dia hoje mesmo
pintei a face de uma ave, de uma ave comum,
de uma ave nada humana plenamente humana ave
há uma rua azulada de écos,
um cão solto nos aros da tarde,
da tarde que planto no vaso,
na sala, nas fendas por onde vemos o outro

( edu planchez pã maçã silattian )

 


edith piaf é das ruas, das pessoas das ruas, crystal piaf,
relate para as pessoas o que acontecia
quando a gente passava pelo chafariz do largo da carioca
cheio de pessoas que vivem nas ruas...
-sim, toda vez que a gente passava por ali,
eles começavam cantar "padan, padan"
ai a gente sentia que a força de edith piaf vem das ruas,
e das ruas vem a nossa força,
a força dos irmãos e das irmãs das ruas.
encontradas nas ruas, nas ruas do grande mundo

 


diego el khouri considera alguma coisa estranha
eu e minha poesia não ter reconhecimento merecido,
diz ele que é por inveja, não saberia falar sobre tal assunto,
villa lobos ao ser triturado pela imprensa,
vosferou ''eles querem que eu não exista'',
''eles'' querem que eu não exista,
mas eu existo

 


cá nos abracadabras dos trópicos,
apanho as crias dos que pensam em flores incandecentes
nos papéis artesanais geridos por luiz beltrame
irmão pintor dos tempos sagrados dos mistérios



 joguei minha âncora de puro estanho

nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
nas linhas deixadas pela lança que apolo meu pai
atirou nas nuvens prendo meus cabelos
o poema, o faze-lo é um bisturi, um auto operar-se,
o catalizar das tormentas,
se não tenho tintas,
tenho letras para construir uma peça,
uma engrenagem, um módulo,
a estrutura, a página para seguir caminhando
agora chóro o choro do fim,
do fim do mundo,
e eu amontuei trajédias, dramas sentimentáis...
preciso chorar, cuspir, defecar isso e mais isso,
aquilo e aquilo outro
joguei minha âncora de puro estanho
nas ruas da lua para girar,
para ir assim entrando nas órbitas
dos outros satélites dos outros planetas
Você, João Bosco Gomes e Claudio Vazcoelho

 


professor armando,
escola morvam de figueiredo,
esquecer jamáis

 


escuro total, negrume, breu,
águias de fuligem estancam asas,
com tinta, com sangue,
com michelangelo caravággio debruçado
sobre o marmore da sacada
donde vê-se o poeta que aqui escreve,
que aqui aponta o lápis
treze segundos levo para compor
as estaturas do poema coberto de sangue,
de sal amargo, de bocas que se beijam
emergidas em relâmpagos,
em melado âmbar,
em sebentas centopéias

 

o estalo, o estado de consciencia que ora acalento,
o vocábulo perfeito que prendo nas frases,
nos dizeres
e eu escrevo, e eu arranho,
arrasto a mão para compor o próximo diálogo,
a próxima conversa

 


MEU POEMA NÃO SERÁ MAIS MELANCÓLICO, NÃO MESMO,
A ESSE EXATO MOMENTO DUELO COM O MEDO,
COM O MEDO QUE CAMINHA
EM MINHAS CAMARADAS VISCERAS,
SERIA EU O ÚNICO MEDROSO?
O ÚNICO QUE TREME?
O MARTELO QUE SE REVOLTA COM O PREGO?
A ARANHA FUGITIVA?
A FORMIGA QUE ROMPE COM O FORMIGUEIRO
E PASSA A VIVER COM OS PEIXES ACHANDO QUE É UM DELES?
TEM FERNANDO PESSOA EM MEUS CONÍFEROS OLHOS
E OUTRAS TORRES QUE ESCREVEM,
E EU ESCREVO E SOU UMA TORRE

 


a arte de apontar o dedo, de assoprar,
de marinar, de reter entre os dedos dos pés
as correntes, as correntesas

 



me mexo no ovo
sob a observação de um corvo,
pqp pqp pqp pqp
me mexo no ovo
no ovo que cresce no polvo,
pqp pqp pqp pqp
acendo o puto churuto
do corvo ao sul do ovo,
pqp pqp pqp pqp

 


AS "ESDRUXULAS VIOLETAS"
DIRIAM QUE O QUE É ROCK
NAS ARMADURAS DE MINHAS MÃOS...
GRIITAM COM AS CIGARRAS DESSAS ENCOSTAS
CANÇÕES DE SORVETE AO VENTO, CANÇÕES,
CARTAS ESCRITAS NAS LINHAS DA LUZ DIGITAL
A PEQUENA AVE VERMELHA
CUMPRE SUA TRAJETÓRIA DA ÁRVORE AO RIO
DO RIO REINO DO REI RIO AO PENHASCO

  Alexandre Durratos que em ROCHAMIRANDA vai sambar um maracatú é meu camarada de LAPAS RUA CEARÁ DOS ROCKS PUTAS, DAS GALINHAS NOITES DO BL...